Transcreve-se a local do jornal "BARLAVENTO" de 16 de Fevereiro de 2011, com a devida vénia:
Futuro da ferrovia do Algarve passa pela eletrificação, defende especialista
filipe antunes
Manuel Tão defende que a linha do Algarve tem viabilidade e diz que a eletrificação total desta ferrovia e o aumento da frequência resolveriam parte dos problemas de mobilidade na região.
«Neste momento, a parte central da via está eletrificada entre Tunes e Faro, pelo que faltam apenas as pontas: de Tunes a Lagos e de Faro a Vila Real de Santo António», aponta.
Para o também investigador da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, o processo não é complicado e implicaria a criação de uma ou duas subestações. Seria semelhante ao que está em curso na linha do Alentejo, entre Bombel e Évora.
Para já, e nas atuais condições da ferrovia, Manuel Tão acredita que é possível desenvolver um modelo de circulação não partido em Faro, diminuindo os tempos de transbordo e ligando as principais cidades do Algarve Central.
«No fundo, trata-se de implementar um comboio regional expresso, semelhante ao antigo interregional, mais rápido, e com paragens selecionadas que percorram o Algarve de ponta a ponta. Tudo isto, combinado com uma rede de autocarros até ao centro das cidades», ilustra.
Para Manuel Tão, o modelo pode ser implementado assim que estiverem concluídas as obras de requalificação da linha do Algarve e a substituição da sinalização mecânica por sinalização eletrónica no troço Olhão/Vila Real.
Questionado pelo «barlavento» sobre a necessidade de uma autoridade metropolitana de transportes no Algarve, o especialista em planeamento regional refere que, mais importante do que os modelos de Lisboa e Porto, que apenas conseguiram implementar um cartão comum para várias tarifas, o ideal seria criar «uma entidade conjunta com poderes».
«Por haver apenas dois operadores principais de transporte a operar na região, uma das soluções seria criar um consórcio regional, com um tarifário comum. Há muitas interrogações, mas há também condições de este ser um projeto-piloto, transferível para o resto do país», defende Manuel Tão.
O «barlavento» quis ainda saber se uma gestão privada dos transportes no Algarve poderia resolver o atual cenário de descoordenação.
Mas o investigador da UAlg prefere falar num possível consórcio «público-privado», frisando desde logo que a subsidiação será sempre necessária.
Da mesma forma, acredita que a introdução de portagens na Via do Infante não deve servir de justificação para olhar para o comboio como recurso.
«Antes das portagens, toda a linha do Algarve já deveria estar modernizada. O que vai acontecer é um pagamento da autoestrada sem que tenhamos uma estrutura de transportes públicos alternativa».
16 de Fevereiro de 2011 08:33
filipe antunes
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