terça-feira, 2 de junho de 2009

Transporte Ferroviário em Portugal aguenta a crise I

Numa primeira análise ao trabalho publicado sob este título no EXPRESSO devemos chamar a atenção que os sectores de mercadorias transportados são os que normalmente teriam menos reflexo com a crise, se retirarmos o transporte contentorizado.

E a razão é simples. É que os restantes transportes são básicos, com pequenas variações no mercado tais como: combustíveis para abastecimento, carvão para centrais eléctricas, madeiras para celuloses. Todos estes transportes obedecem a movimentações programadas com grande antecedência e qualquer alteração leva tempo a ser notada no transporte face ao factor de diluição que essas alterações têm no próprio mercado.

Já quando estamos a falar de transportes ligados à construção civil, no caso de cimentos, inertes e cerâmicas existe um factor mola no próprio mercado que através de pequenas alterações de cada movimento ou da sua frequência permite a adaptação sem alterações sensíveis ou pelo menos não detectáveis imediatamente por não haver alterações drásticas.

Também alguns transportes muito específicos, como o caso de certos produtos químicos, a sua especificidade e programação faz com não sejam imediatamente visíveis quaisquer alterações.
Essas alterações serão mais a nível de frequência ou quantidade transportada em cada movimento do que uma ausência drástica de movimentos por um período apreciável.

Inclusive o tráfego de minério não apresenta alterações de movimentação do tipo drástico pois são quantidades ajustadas em períodos programados e pode-se absorver as mesmas através da quantidade em cada movimento ou por uma pequena alteração de frequência, por exemplo, menos um transporte entre cada dois ou três.

Normalmente o tráfego que acompanha mais de perto as variações do mercado é o do tráfego de contentores uma vez que os mesmos são usados em transporte de cargas mais sensíveis às variações do mercado.

Aí as variações podem sentir-se com mais rapidez, podendo de uma semana para a outra o volume transportado alterar significativamente.

Mas aqui se essas variações são notadas logo que há um arrefecimento do mercado, também o serão logo que o mercado se altere no sentido oposto.

O que se deve notar é que, por enquanto, a maior parte das cargas transportadas ferroviariamente em Portugal são cargas de tipo estrutural, ligadas a sectores com programações a médio longo prazo.

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