sábado, 16 de agosto de 2008

FGV e os Portugueses


Com a devida vénia a Vicente Miralles falemos um pouco desta sua foto que circula na net e que se refere a uma estação em Valencia que já não existe, a estação de Marchalenes.

A foto foi obtida em Maio de 1986, nessa estação dos FGV e mostra algum material que nessa altura faziam parte da sua frota.

Do lado esquerdo pode-se observar o designado Português 510 com diverso material a reboque, do qual se identifica que a primeira carruagem rebocada é o Empalmat 106 e a segunda uma Bombo da série 200, preparado para continuar o seu percurso até Valencia- Pont de Fusta.

Do lado direito uma UT1000 com destino a Paterna.

A rotunda de locomotivas que se vê no extremo direito da foto, ainda hoje existe tendo sido recuperada para albergar a subsede municipal do futuro museu de Valencia, dedicado à história del Trenet (FGV).

Para os portugueses esta foto ainda apresenta a curiosidade de poder ver material circulante, que nos FGV era conhecido por Portugueses, material que esteve em Portugal para ser usado numa linha ferroviária que começou e nunca acabou nem funcionou.

Em determinado momento, e fruto de movimentações locais, criou-se uma empresa para construir e operar uma via férrea entre Viana do Castelo e Ponte de Lima, subindo o vale do rio com o mesmo nome.

Foram efectuadas terraplanagens para o lançamento do leito da via, adquirido os respectivos materiais incluindo o circulante. Todo este material chegou a estar na zona de Viana do Castelo, mas impedimentos políticos-burocráticos tornaram impossível a construção e consequente finalização do projecto.

Face a esse impedimento a empresa viu-se na necessidade de alienar os materiais já recebidos, incluindo o próprio material circulante de bitola métrica.

Não havendo interesse por parte das empresas nacionais no material circulante foi o mesmo negociado para o estrangeiro tendo sido adquirido pelo FGV (Ferrocarrilles da Generalitat de Valencia) para a sua rede junto desta cidade.

Assim o material circulante chegou, sem nunca ter circulado em Portugal, a Valência como de primeira mão.

E é por essa origem que foi apelidado pelos valencianos de PORTUGUESES.

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