domingo, 1 de março de 2009

A ponte da foz do Chança

No tempo dos ditadores peninsulares (século XX) foi construída próximo da foz do rio Chança, em área raiana, uma barragem com dois fins.

Um dos fins do aproveitamento do caudal do rio é para produção de energia eléctrica sendo que o segundo é o de aproveitar a água retida na albufeira para fins de rega para a agricultura.

Deste modo junto das instalações de produção de energia eléctrica encontram-se as captações de água que vão alimentar o canal de irrigação que saindo deste local em direcção ao sul vão alimentar o sistema de irrigação do estremo oeste da província de Huelva, na Andalucia.

Sucede que a barragem tem encontro nos dois lados da fronteira, ou seja na sua parte norte, é território português e na parte sul é território andaluz, espanhol.

A barragem permite a sua travessia, a qual esteve sempre reservada para fins próprios da exploradora da mesma, não permitindo a sua travessia pública.

Tal situação manteve-se com o beneplácito dos ditadores (Franco e Salazar) pouco interessados em resolver as economias e os interesses das populações locais, de um lado El Granado e do outro Pomarão.

Esperar-se-ia que com a entrada de ambos os paises na UE o problema seria rapidamente sanado, nem que fosse com uma passagem provisória pela barragem enquanto se construía uma opção definitiva.

Mas não, nada nem ninguém, quer em Bruxelas, Madrid ou Lisboa, conseguiu mover o interesse particular.

Tal circunstância obrigava um residente em Pomarão que quizesse ir a El Granado, distantes uns meros quinze quilómetros, a efectuar uma longa viagem quer pelo Norte, a Vila Verde de Ficalho, quer pelo Sul, a Vila Real de Santo António e retorno pelo país vizinho num total de cerca de cento e cinquenta quilómetros.

Finalmente, a 26 de Fevereiro, foi inaugurada a nova ponte, mesmo na foz do Chança e a juzante da barragem que finaliza o calvário que eram as comunicações regionais próximas.

Esta nova ponte vem também facilitar o acesso da zona de Serpa e Mértola às zonas andaluzas de Huelva, Lepe e Ayamonte.

Parabéns aos locais que vêem uma longa reivindicação ser satisfeita no âmbito dos dois povos.

Notas finais:

a) Esta inauguração não fez parte da lista oficial do MOP nesta pré-época de eleições. Talvez por vergonha, o que é estranho!

b) O Rio Chança é um afluente do rio Guadiana, desaguando neste junto a Pomarão.

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