Ferrocarril de Gibraleón a Ayamonte
No ano de 1913 o engenheiro Juan Cervantes emitiu o projecto para uma via férrea que, nascendo em Huelva, tivesse como termino a localidade de Ayamonte, fronteira a Vila Real de Santo António, do outro lado do rio Guadiana, em Portugal.
A intenção da construção deste caminho de ferro já germinava, quer pelos políticos, quer pelos empresários, desde a década de 60 do século XIX, mas sem que tivesse passado para além das aspirações.
O projecto de Cervantes estava dividido em três partes:
A primeira, em que a via férrea seguiria em paralelo com o Zafra-Huelva desde Huelva até Gibraleón, localidade a 14km a norte de Huelva, afim de procurar um local fácil e favorável para cruzar o rio Odiel.
A segunda, desde Gibraléon até ao atravessamento do rio Piedra, quer dizer, desde o pk14 ao pk36 passando por Aljaraque e Cartaya.
A terceira, desde o rio Piedra até Ayamonte (pk61).
Através da Ordem Real de 21 de Agosto de 1913 foi dada a concessão à Sociedade Espanhola de Ferrocarriles Secundários (SEFS) e a 18 de Setembro do mesmo ano é transferida a concessão para a Companhia del Ferrocarril de Huelva a Ayamonte, presidida por Luis António de la Quadra y Raoul, marquês de Guadalmina.
A 17 de Dezembro de 1913 iniciam-se os trabalhos de construção que logo começam a sofrer paralizações e atrasos ocasionados, entretanto pelo deflagar da Primeira Guerra Mundial, sendo abandonados nos princípios de 1920 quando já estavam executadas grandes partes das infraestruturas e alguns edifícios.
Ante a utilidade do projecto e a possibilidade de servir como ligação internacional, o rei Alfonso XIII decreta em 1926 que a IV Divisão de Ferrocarriles tome conta dos trabalhos.
Para simplificar a construção abandona-se a primeira fase do projecto, o troço paralelo ao Zafra-Huelva, entre Gibraleón e Huelva. As restantes fases foram concluídas pelo Estado, nos quais existiam os últimos exemplares de grandes pontes metálicas para caminho de ferro numa altura em que o betão já se impunha.
Os tráfegos praticados nesta linha incluiam: o do peixe fresco, que se carregava em Lepe ou na Isla Cristina, com destino a Madrid, e o de minério, pelo transbordo com o caminho de ferro mineiro de Tharsis na estação de La Mesquita.
O comboio do peixe da Isla Cristina para Madrid chegou a ter uma importância estratégica no abastecimento de víveres da zona de Castela nos anos difíceis do pós-guerra, e devido a tal, não houve dúvidas em utilizar neste tráfego as flamantes locomotivas Renfe Série 316, logo que as mesmas foram integradas na frota da Renfe apesar destas locomotivas estarem destinadas exclusivamente para os comboios de passageiros de maior prestígio.
Também esteve em projecto dotar de vias férreas as ruas de Isla Cristina com uma série de ramais urbanos, a exemplo do caminho de ferro vinícola de Jerez de la Frontera, para que o pescado recém descarregado dos barcos fosse directamente para os vagões, evitando-se o transbordo desde o cais até à estação por carroças e camiões.
A linha encerrou ao serviço comercial no ano de 1987.
Fonte: http://ferrocarriles.wikia.com/wiki/Ferrocarril_de_Gibrale%C3%B3n_a_Ayamonte
»»»»Posteriormente passou a via verde, aproveitando-se o leito após o levantamento da infraestrutura ferroviária.
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