O ano que agora inicia não se apresenta muito promissor quanto ao panorama ferroviário no País.
Se falamos de infraestruturas, apenas se prevê a conclusão de obras e consequente entrada em serviço de dois troços, o ramal para o porto de Aveiro e a variante de Alcácer do Sal.
Ao invés, verifica-se mais um encerramento, o resto do ramal da Lousã, na sanha que invadiu o nosso País de plantar carros eléctricos por todo lado.
Por outro lado, assistiremos a uma nova tecnologia TUGA em que renovações, alteração e manutenção de estruturas no Alentejo implicam o seu encerramento total com um horizonte temporal que não se mede em dias, nem em meses, mas em ANOS!!!
Com um pouco de sorte dentro em pouco estaremos a utilizar para estes casos a unidade astronómica de ANOS LUZ.
Se falamos da operadora de passageiros, o horizonte de renovações está esgotado por não terem sido efectuadas em devido tempo e as aquisições têm um horizonte temporal de contrato e execução que deverá situar-se além 31 de Dezembro.
Restam-nos, para tornar um pouco mais animador o panorama para os próximos 364 dias, os operadores privados de transportes de mercadorias em via férrea, Takargo, COMSA, Continental Rail e outros que paulatinamente vão dando algum sangue vivo ao nosso País neste aspecto.
Também no que respeita ao património o panorama não oferece muito. O que está espalhado pelo País tem direito ao tratamento de estilo, exigências sem par se alguém quer intervir possibilitando a sua conservação ou como alternativa o abandono ao esbulho por incapacidade de o conservar.
E quando olhamos para o tal Museu Central verifica-se também um horizonte de dificuldades dignas de fazer o mais timorato arrepiar caminho. Do material estático já não se fala, mas do que DEVERÁ estar em estado de rolamento e aproveitamento para fins turísticos e culturais então as nuvens negras não prenunciam tempestade mas sim um furacão.
Neste último ponto, as locomotivas em estado de rolamento, não conseguem ultrapassar a "2501". A "1800s" perde-se por umas baterias e a "2551", que representaria vivamente uma época dos CF em Portugal, está desaguada numa via no Entroncamento, conjuntamente com as irmãs, e qualquer dia vai na vazante.
Aguardemos que o 2010 traga surpresas que ultrapassem positivamente aquilo que, neste momento, é possível vislumbrar neste panorama.
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